David Cronenberg fala sobre Rob, atores britânicos e o financiamento de Cosmópolis

Traduzido/Publicado por Milla em 17 Dec 2011


Apesar de David Cronenberg ter construído uma carreira com filmes que exploram as fendas escuras da mente, ele diz que gosta de ‘se divertir de forma produtiva’ quando está trabalhando. “Tenho um set bem leve, e não perturbo a cabeça das pessoas,” diz ele. Durante uma folga do set de seu Cosmópolis, que está para ser lançado, Cronenberg passou pelos escritórios da Variety para conversar com Christy Grosz sobre os desafios dos financiamentos e por que ele provavelmente nunca fará um filme com estúdios com grandes orçamentos.



Você trabalhou com muitos atores britânicos de primeira linha como Jeremy Irons e Miranda Richardson. Existe algum tipo de sensibilidade diferente que os atores britânicos trazem que funcionam bem para você?

 Parte da escolha do elenco que as pessoas raramente entendem, mas é uma parte muito importante para fazer filmes independentes, é qual o passaporte do ator. Se você vai fazer uma co-produção, não está fazendo uma co-produção com os Estados Unidos por que os Estados Unidos não têm tratados de co-produção. Significa que você não pode usar atores americanos ou, se o fizer, será muito limitado. Um Método Perigoso, tecnicamente, não tem nenhum ator americano. Viggo tem passaporte dinamarquês. Rob Pattinson (o astro de Cosmópolis) é um cidadão inglês. Quando se tem Paul Giamatti em Cosmópolis, ele é o único ator americano, apesar de ser uma história americana que se passa em Nova Iorque. Então existem coisas que você precisa considerar. Inevitavelmente, para mim, se você está fazendo um papel no qual se fala inglês, você olha para os atores britânicos. É verdade, claro, que eles têm uma tradição maravilhosa de grandes atuações, e são atores que fazem teatro, televisão e filmes, o que antigamente era uma coisa única do Reino Unido. Nos Estados Unidos, havia um estigma real relacionado a você se você fosse um ator de TV. Então, atores com muita experiência que realmente entendiam a diferença entre atuação de teatro e de palco, atuações em filmes não eram “teatrais” quando eles atuavam em filmes. Eles sabiam como fazê-lo, enquanto que quando você está trabalhando com atores de outros países, eles não sabiam como fazê-lo. Mesmo alguns atores canadenses, com grandes inclinações para o teatro, e ele não conseguiam fazer aquele estilo bem naturalista americano de atuar. Então os atores do Reino Unido eram muito atraentes, e a qualidade de trabalho era incrível e assim por diante. Há várias razões. Com frequência eram co-produções Canadá-Reino Unido. Ou se for uma co-produção Canadá-França, os atores ingleses podem trabalhar, pois são da União Europeia e assim é o trato, então não precisa ser um ator francês propriamente dito, poderia ser um ator britânico. Então é uma das razões pelas quais trabalho muito com atores ingleses.

Financiamento nunca é fácil para filmes independentes. Você acha que conseguindo alguém como Mortensen associado ao filme logo cedo ajuda a despertar interesse?

É preciso encontrar um elenco que se encaixe ao tom do filme e o nível de orçamento para o qual se está encaminhando. Todos sabem dos estúdios de filmes nos quais dizem, bem, faremos este filme de US$ 200 milhões se você conseguir Tom Cruise ou Brad Pitt. Está em um nível diferente, mas ainda assim é a mesma dinâmica quando se está fazendo um filme independente. É como, “Bem, compraremos os direitos para a França se você conseguir alguém como Robert Pattinson ou Paul Giamatti ou algo do tipo.” Não se pode ter protagonistas desconhecidos, mesmo em um filme independente. Você pode meio que apresentar desconhecidos. Sarah Gadon, por exemplo, que interpreta Emma Jung (em Um Método Perigoso). Ela é canadense. É uma descoberta minha. Ela tem um grande e distinto papel com Rob em Cosmópolis. Então, quando fizemos Cosmópolis, ela foi de grande valia. Sua estrela está crescendo. Ela está captando atenção e é adorável ver isso acontecer. E, eventualmente, você conseguirá financiamento.

Eu diria que alguém como Rob Pattinson poderia ajudar também.

Acontece o seguinte, sozinho, não é suficiente. Temos Juliette Binoche. Temos Mathieu Amalric. Precisávamos dos elementos franceses para vender a França. Paul Giamatti foi muito importante para fazer o filme mais atraente em todo lugar, mas também na América do Norte. Então outro ator, mesmo sendo um ótimo ator ou famoso, geralmente ainda não é o suficiente sozinho. É assim que acontece. É o nome do jogo. Então, para mim o ato de equilíbrio é fazer malabarismos com todas essas coisas: os passaportes, o dinheiro, a fama e ainda ter atores valiosos para os papeis. É um truque do entretenimento.


Fonte | Tradução: Josi Teixeira 

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