Entrevista de Robert com a GIOIA

Traduzido/Publicado por Sheila Andrade em 10 Nov 2011


Em poucos dias estará nos cinemas a primeira parte do final da Saga Crepúsculo. E, entretanto, algumas coisas aconteceram: ele se acostumou com a fama, se apaixonou na vida real também e talvez ficou um pouco cansado.

ROBERT PATTINSON
"Não faça eu me sentir como um animal de zoológico."

"Eu não acho que eu tenha me desligado disso. Com certeza não sou uma estrela, talvez nem mesmo um ator. Há pessoas que desejam o sucesso desde a infância e fazem de tudo para ser famoso. Se eles conseguem, quando eles entram em uma sala, recebem total atenção. E esse momento de satisfação justifica todo o trabalho duro e o compromisso feito para chegar lá. Mas eu não fiz isso. Eu só me encontrei nesta situação. Se eu entrar numa sala e todo mundo estiver olhando para mim, eu não me sinto à vontade. Eu me sinto como um animal de  zoológico, por vezes, e não é um sentimento tão bom."

Talvez Robert Pattinson deveria ter pensado nisso antes de aceitar o papel de Edward em Crepúsculo, que o levou a ser rico e famoso, para não mencionar ídolo das meninas fãs de todo o mundo. Mas ele não parece ser falsamente humilde. Ele é tudo, mas uma estrela, espontânea e sorridente como ele é, pela forma que ele aparece para a entrevista exclusiva para a Gioia: meia-cabeça raspada, uma camisa que certamente teve dias melhores e um par de calças que não pode sequer ser definido como gasta. Alguém que quisesse mentir se vestiria melhor, eu penso quando o vejo.

Você não se importa com o rótulo de que você é famoso ou tem sido sempre assim?
-Eu me sinto estúpido vestindo jaqueta e gravata, a menos que seja necessário, me visto casualmente. Eu gosto da idéia de ser visto como realmente sou. Também eu sempre olhava para as pessoas muito elegantes.

Bom corte de cabelo.
- É para o filme Cosmopolis. Foi feito agora, mas eu mantive o corte. Eu gosto e acho interessante.

Crepúsculo acabou. Você está disposto a mudar a sua vida?
-Eu não sei ainda. Eu não tenho sido apenas um vampiro estes anos, então não é como se a minha carreira tivesse acabado.

Você não fica entediado interpretando sempre o mesmo papel?
-Vamos dizer que não era simples porque é a natureza de um vampiro é não ser expressivo o tempo todo. Há muitas coisas que ele não pode fazer: ao lado de seu amor-quase-obsessivo por Bella, ele não pode ter impulsos, desejos, sentimentos. Há o risco de você acabar fazendo sempre a mesma coisa e, muitas vezes, depois de uma cena, aconteceu de eu parar e ter a sensação que tinha apenas repetido a cena anterior. Mas nós sempre tentamos privilegiar a originalidade.

Se você não fosse um personagem principal da série, você teria sido fã dele?
-Provavelmente a resposta a isso me colocará em problemas. A verdade é que eu não sei. Eu sempre fui contra as sagas comerciais. Eu acho que eu gostaria dos filmes propriamente ditos, mas não consigo entender porque as pessoas são tão loucas por isso. E na verdade eu sempre gostei mais dos filmes pobres.

No início havia muito ceticismo sobre você: os fãs não gostam de você. E agora...
-Eles não estão interessados em quem eu sou, o que eu faço ou como eu ajo. Eles se preocupam com a minha cara. Se o meu rosto fosse muito bonito, como haviam imaginado lendo o livro, então tudo bem. Então, depois de fazer o primeiro filme, o rosto torna-se o personagem e o problema está resolvido. Pensar sobre isso é meio triste.

Comparando Crepúsculo e Lembranças eu tenho a sensação de que o segundo - menino pálido, barba, cigarros, garrafa na mão, era mais parecido com você. Estou errado?
-Não. Quando eu li o roteiro me identifiquei com o personagem de imediato. Geralmente filmes com um personagem jovem são todos iguais: há uma criança que não sabe nada sobre a vida e aprende tudo durante o filme. Em Lembranças dava para sentir que havia algo diferente por trás disso. Eu comecei com a idéia de me interpretar porque achei o estilo de vida e estado de espírito dele semelhantes ao meu. Então eu mudei de rumo: interpretar si mesmo é impossível.

Não é para John Malkovich.
-Eu acho que é. Podemos interpretar a pessoa que criamos, o que é percebido pelas pessoas, mas não podemos ser nós mesmos na tela.

O que você quer dizer com "percebido pelas pessoas"?
-No meu caso, Edward, o vampiro. As pessoas não falam sobre mim, não gritam comigo, não se descabelam por mim: elas fazem isso por Edward. Elas querem ver ele, portanto eu tento fugir desse nome. Eu fujo, entro em um carro e sou outra pessoa. Eles olham para você, mas só veem o que querem ver.

Você imaginava que teria todo esse sucesso?
-Não, isso foi louco e inesperado. Lembro-me de um dia, em Munique, no Estádio Olímpico, eu estava na frente de 30.000 pessoas que foram lá para uma conferência de imprensa de 10 minutos. Foi a coisa mais ridícula que já vivi. Se você começar a pensar que eles estão lá por você e você começa a se convencer de que é fabuloso, você vai ficar louco com certeza.

Você não se sente fabuloso?
-Nem um pouco.

Nem um pouco?
-Não. Se você começar a sentir assim, então todas as manhãs, quando você olha para si mesmo no espelho, você deve repetir que você é a melhor pessoa do mundo. Pelo contrário, muitas vezes eu acho que tenho a personalidade completamente oposta necessária para suportar o peso da fama.

Então, por que você decidiu fazer este trabalho?
-Quando eu comecei, ninguém havia visto meus filmes. E aquele que haviam assistido nem sequer me notaram, mas conheciam o meu trabalho, o papel que eu estava interpretando. Agi sem sequer pensar sobre a carreira ou o efeito disso. Hoje muitas pessoas pensam que me conhecem, mesmo sendo que eles nunca me conheceram, mas nas suas cabeças eles sabem o que esperar de acordo com o que eles assumem saber sobre mim.

Então, qual é a sua estratégia de sobrevivência?
-A melhor coisa que um ator pode fazer é viver na mais absoluta reserva. O que é impossível considerando que eu tenho de ser entrevistado por pessoas como você para promover um filme. Então, quando as revistas não conseguem encontrar nada de bom, eles inventam.

Você não parece estar à vontade com isso.
-Toda vez que estou em uma multidão eu tiro minha mente de lá e penso: isto não é comigo. Meu corpo está aqui, mas minha mente está em outro lugar. E eu sempre tento lembrar que é um emprego, não é a minha vida, mesmo se manter o controle for algo difícil.

Falando de emprego, David Cronenberg veio a você para fazer o último filme dele.
-Bem quando eu estava pensando que eu nunca mais iria trabalhar com grandes diretores. Muitas vezes, a fama não ajuda a conseguir papéis em filmes de boa qualidade. Mas sim: Cronenberg veio até mim. Eu lhe disse que levaria uma semana para decidir e eu estava realmente encontrando uma maneira de dizer a ele que eu não era a pessoa certa para aquilo, que eu não recebi o roteiro e eu não iria aceitá-lo. A única maneira seria chamá-lo e dizer: hey, eu sou um perdedor nerd. Então eu pensei que eu não quero ser aquilo e então eu disse que sim.

É verdade que você adotou um cachorro durante as filmagens?
-Sim, eu o encontrei perto do set e eu fiquei com ele.

Uma coisa tão doce proveniente de um vampiro.
-certo. Talvez eu estivesse procurando um amigo que não pudesse falar.

Fonte: robpattinson.blogspot.com
Tradução: Marina Rozado e Sheila Andrade

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