roteirista de Amanhecer discute as cenas de sexo, o parto sangrento e feminismo

Traduzido/Publicado por Ana Flavia Oliveira em 21 Nov 2011


Agora que Amanhecer Parte 1 estreou nos cinemas e aparentemente toda a população da América do Norte parece ter assistido o filme, está na hora de deixar de lado os alertas de spoiler e analisar o que interessa. A Vulture perguntou à roteirista Melissa Rosenberg (que também fez o roteiro dos três filmes anteriores) como ela e o diretor Bill Condon prepararam o roteiro para as duas maiores cenas da franquia – as cenas de amor e o parto – e como o filme já está nos cinemas por alguns dias, ela estava livre para discutir alguns pontos cruciais do roteiro que antes ela não podia. Continue lendo para ouvir sua análise.

Vamos começar com a cena de amor. Me conte sobre a decisão de mostrar sua maior parte em um flashback.
MR:
Eu não a escrevi inicialmente dessa forma, mas foi ideia de Bill filmar desse jeito, então eu mudei um pouco a ordem das páginas.

Como você havia escrito essa cena na primeira vez?
MR:
A primeira vez que eu a escrevi era simplesmente sexo. [risos] Eu pensei ‘ok, eles estão na água, e então tem muito sexo.’ Então Bill veio com a ideia de brincar um pouco com isso, e é uma ótima ideia visualmente falando, além de ser mais tântrico, então eu concordei completamente com isso.

Você adicionou algo àquela cena que não havia no livro?
MR:
Eu acho que no livro, eles fazem sexo na água? Eu não consigo me lembrar.

Eu nunca consegui entender como sexo na água funciona.
MR
: É uma péssima ideia. [risos] Mas no filme nós conseguimos ver o momento exato em que ele quebra a cama, o que é algo bem divertido que é simplesmente mencionado no livro.

Quando você pensa que vá rias meninas estarão assistindo o filme, isso limita a sua escrita de uma cena de sexo?
MR:
Não para mim nesse filme, porque é bastante saudável. Não há nada de ruim nisso – eu não sou uma puritana nesse aspecto, eu tenho medo que talvez eu devesse ser! Eu não vejo nada de errado com isso, então eu escrevo da mesma forma que eu escreveria para um público mais velho. É sobre o romance e a sensualidade do ato – não é sobre mostrar certas partes da anatomia.

Já que a iconografia desse filme é tão exaltada, você se preocupa com as maneiras que as pessoas possam interpretá-lo? Como por exemplo Bella arrumando desculpas pelos machucados que seu marido causou nela depois do sexo...
MR:
O sexo foi consensual. Ela pediu por aquilo e ela quer mais. Desde que seja consensual, ela não é uma vítima – na verdade, ela é a agressora nesse caso. Dá nervoso ver machucados em uma mulher? Claro, é óbvio que sim. Eu fico meio nervosa quando eu os vejo em mim mesma. Mas você pode ver as coisas da maneira que você quiser, e eu escolho vê-la e retratá-la simplesmente como alguém forte.

Ok, vamos falar sobre a cena do parto. Obviamente essa foi uma das sequências mais especuladas da franquia inteira. O que você achou dela quando você a leu pela primeira vez no livro? É surpreendentemente sangrenta e vívida.
MR:
Inicialmente eu fiquei chocada, porque é uma direção muito drástica para o horror. Eu pensei que seria um desafio escrever, mas no final das contas eu simplesmente transcrevi o aspecto do livro. É a perspectiva da Bella e no fim acabou se escrevendo facilmente, o que me surpreendeu. De todas as coisas que foram difíceis de escrever, essa não foi uma delas.

Muitas pessoas ficaram preocupadas com Edward mordendo o bebê para fora de Bella, mas como foi filmado da perspectiva de Bella, não dá nem pra entender ao certo o que Edward está fazendo.
MR:
Exatamente. Além disso, tendo estado em Dexter por tantos anos, eu aprendi que horror não é uma questão do que você consegue ver, mas sim do que você não consegue. Você está brincando com o horror no rosto dela, e quando você vê a emoção, é muito mais cru e visceral do que litros de sangue esparramados.

Sempre esteve claro pra você que essa cena seria o clímax de Amanhecer Parte 1?
MR:
Sim, sempre esteve. Falando em termos de estrutura, você sempre termina o seu primeiro ato com a personagem principal em seu momento mais baixo possível, e a imagem de Bella estando morta qualifica como tal. [risos]

Em Amanhecer foram dois filmes ao invés de um. Como você lidou para digerir isso?
MR:
No início eu achei que o livro seria um longo e épico filme, mas eu percebi que nós teríamos que cortar tanto material que não seria satisfatório, então eu me afastei dessa ideia. Eu acho que eu teria que fazer com que ela engravidasse logo no início, com ela morrendo no meio do filme, mas você imagina quanta coisa eu teria que cortar para fazer isso acontecer.

Há uma discussão entre os Cullen sobre se eles devem chamar o ser dentro do útero de Bella de “bebê” ou “feto”. Você está consciente de que alguns críticos podem vir a pegar esse detalhe e implicar com a similaridade da discussão sobre o aborto?
MR:
Absolutamente, e como uma feminista que luta pela escolha da mulher, essa definitivamente foi o meu objetivo. Não importa o que fosse, eu não teria me envolvido com esse filme se afetasse as minhas crenças particulares – eu simplesmente teria dado as costas – então eu tive que achar uma forma de demonstrar minha linha de pensamento, sem ao mesmo tempo violar as crenças de ninguém. Então esse foi provavelmente um dos desafios iniciais. Eu também ouvi que Bella é aquela que está constantemente se sacrificando, mas eu nunca a vi como alguém que está sacrificando qualquer coisa. Se alguém está sacrificando qualquer coisa é Edward, porque desde o início – e certamente nesse filme – ela sabe o que ela quer e ela corre atrás disso. Eu ainda acho que ela é um pouco egoísta, porque ela é tão certa do que ela quer. “Ok, então eu morro e Edward fica de coração partido pro resto da eternidade? Bem, problema, eu vou fazer isso da mesma forma.” Ela é bem clara, e francamente, eu a vejo como uma personagem bem forte. As outras pessoas a vêm como alguém que se sacrifica? Com certeza, mas eu nunca a escrevi dessa forma, e me surpreendeu para ser sincera.

Fonte: nymag.com


Powered by CuteNews