Entrevista de Robert Pattinson e David Cronenberg para HeyUGuys

Traduzido/Publicado por Deia Almeida em 14 Jun 2012


Com o Crepúsculo indo abaixo, Robert Pattinson é um ator procurando por mudar sua persona de ídolo adolescente e se estabilizar como um homem adulto. Ele está no ultimo passo da caminhada se juntando com o legendário corpo do horror David Cronenberg, liderando sua adaptação da sátira obscura de ficção de Don Delillo, Cosmopolis.

Pattinson é o super bancário Eric Packer, um arrogante, narcisista, jovem bilionário que está atrás de um corte de cabelo em Nova York, enquanto a cidade, sua vida e sua fortuna estão ruindo ao redor dele. O filme marca outro passo na evolução da carreira de David Cronenberg, construída de triunfos de seus recentes passos longe do terror como Eastern Promises e A Dangerous Method, mas também retendo a única visão do mundo de Cronenbergian. Também é um filme oportuno, com a crise financeira e protestos nas ruas com o grande eco no movimento de ocupação da Wall Street.

Nós sentamos com Davin Cronenberg e Robert Pattinson em Londres para falar com eles sobre o filme. Uma das respostas de Cronenberg inclui alguns spoilers do filme, mas nós avisamos aqui.

HeyUGuys: O filme mostra a crise financeira e os anti capitalista em Nova York – a Ocupação na Wall Street e o movimento We Are The 99% influenciaram o filme?
Cronenberg: Bem, não influenciaram o filme em nada, porque estamos presos ao script. É só o que Don DeLillo escreveu como precedente e clarividência e o mundo está pegando isso com ele. Então isso não altera o que fizemos. Mas não podíamos ajudar a noticiar isso. Mas Paul Giamatti, por exemplo, me mandou uma mensagem dizendo “Eu não acredito nisso, acabei de ver Rupert Murdoch levar uma tortada na cara!” e nós tínhamos acabado de filmar a cena onde Robert leva uma torta na cara! Nós estávamos pensando “wow, isso é estranho!” Foi estranho filmar as cenas sobre anti capitalism nas ruas de Nova York e então ler sobre o movimento de ocupação.

Qual a sua opinião sobre a ocupação e o movimento 99%?
Cronenberg: É interessante e  eu só estou pensando sobre isso depois do fato, mas existem realmente não capitalistas nesse filme. Na verdade, foi notador, e acho que foi preciso, de que o movimento de ocupação da Wall Street não é anti capitalista. Eles querem realmente um pedaço da ação. Eles estão dizendo “Queremos ser parte do 1%. Devíamos ser parte do sonho capitalista.” Então não é como se eles fossem comunistas ou socialistas e querem derrubar o capitalismo. Na verdade eles querem ser capitalistas. Então [o movimento de ocupação] é um pouco estranho, não é o que você imagina. Com {personagem de Paul Giamatti}, ele ama o capitalismo, ele ama investir e a reclamação de que ele foi deixado para trás por Eric Packer {personagem de Robert Pattinson}. Eric é tão rápido, tão ligeiro, ele destrói a maneira que Benno ama trabalhar. Ele não é anti capitalista. Então não é fácil dizer que o filme é anti capitalista. Não é.

No livro de DeLillo, tem o Yen em que Eric Packer está investindo, você mudou do japonês para o chinês no filme – por que fez essa mudança?
Cronenberg: Essa foi minha tentative débil, como um complete ignorante em termos de economia, fazer isso um pouco futurístico. O Yen, desde que o livro foi escrito, entrou em colapso, e então você adiciona o tsunami que atingiu o Japão e de repente o Japão está escalonado. Mas quando isso foi escrito, era como o sol brilhando, todos estavam com medo do Japão – o Yen seria a moeda mundial. Mas agora é a China. A visão para o leste estava correta, mas é a China que terá o poder mundial e em 2015 o Yuan será a moeda totalmente conversível e talvez desbanque o dólar. Esse é o plano chinês, e ninguém parece ver que isso não acontecerá. Foi isso o que eu fiz, mas não acho que mude o tom.

Existe uma imagem no rato no filme, foi uma metáfora, referente ao ano do rato no zodiac chinês?
Cronenberg: Nunca faço metáforas! (risadas) Essa é a primeira que ouvi, nunca pensei nisso. E eu não sei o que Don pensou disso.

Robert, seu personagem no filme, Eric Packer, não é uma pessoa muito legal – ele é egoísta e niilistico. Como você se aproximou de um personagem como esse?
Pattinson: Acho que não me aproximei em ser niilista. Acho que tinha uma energia ali mas acho que a energia em ser niilista é diferente. Ele não está jogando as coisas fora conscientemente, ele só está ficando mais estressado. Ele acha que está chegando perto de algo e tudo começou a cair – ele não destrói isso conscientemente.

Como você acha que é Eric Packer comparado aos outros personagens de David Cronenberg?
Cronenberg: Eu não penso muito nos meus outros filmes – eu disse isso antes. Você está pedindo para eu analisar meus próprios filmes, mas não vou, porque esse é seu trabalho! O que posso dizer é que não penso em meus outros filmes quando estou fazendo um filme. A alegria para mim é o meio da noite, nas ruas, com os atores, sem mais ninguém em volta. Você não está pensando em Crepúsculo, não está pensando Scanners, você está pensando sobre Cosmoopolis. Isso é bonito e bem puro. Quando coloco filmes juntos estou colocando os valores dos atores que estão, tenho que pensar o passaporte de Robert no Canadá/França como produção, e todas essas coisas – mas isso tudo é irrelevante para a criatividade de fazer um filme. Então tento ser puro dessa maneira.

O único acerto de Eric Packer no filme é o corte de cabelo. Por que ele está atrás de algo tão trivial?
Cronenberg: A coisa trivial não é toda trivial. Ele até configura. Ele diz “Um corte de cabelo é o que? É calendário na parede, é uma cadeira de barbeiro, é a vizinhança.” É seu passado, onde ele tinha algo puro, e algo inocente. Teve uma coisa que Robert fez, e provavelmente ele nem sabe que fez isso, mas quando ele sentou na cadeira do barbeiro ele se tornou uma criança. E o velho barbeiro ficou como seu pai ou avô. Existe um momento ótimo onde ele diz “Você tinha quatro anos,” e Eric diz, “Cinco, eu tinha cinco,” e foi lindo. Fico com calafrios só de pensar nisso. E tinha coisa coisa linda que estava em cada linha do diálogo, existe uma real intuição de entendimento da coisa. Então como eu disse, não é trivial, você entende que esse momento da infância é o corte de cabelo.

(A próxima pergunta tem alguns spoilers, então talvez você queira pular se ainda não viu o filme)

Eric e sua esposa nunca se tocam no filme – no livro eles fazem parte de uma orgia, que não foi para a versão das telas. Qual é seu raciocínio com isso?  
Cronenberg: Bem, eu não senti que eles se tocaram no livro, francamente. E a cena do livro na orgia filmada, com centenas de pessoas nas ruas de Nova York, eu honestamente pensei quando li que fosse uma fantasia de reconciliação de Eric, e uma juvenil. E a maneira como Eric é infantil e em algumas coisas, eu não acreditei que fosse real. E achei que nas telas seria engraçado, você nunca compra isso, nunca poderia acontecer. Então eu pensei, não, ele de disconecta de sua esposa e nunca toca ela, e eles nunca fazem sexo. Está acabado, e isso é uma das coisas que faz ele de destruir. Existem vários momentos – é a morte do amigo Fez, é o término do casamento, é o assassinato ou o Torval, são esses momentos que o levam ao fim, o que meio que um suicídio, na verdade. Ele volta a sua infância, e então além, antes de seu nascimento, o que é a morte.

(Não há mais spoilers aqui)

As pessoas não esperam ver Robert Pattinson em um filme como esse – como você acha que os fãs de Crepúsculo que só seguiram Robert irão responder ao filme?
Pattinson: Eu não sei. Quero dizer, eu espero que as pessoas vejam! (risadas) Vão ao cinema da forma que puderem! A base de fãs de Crepúsculo é muito maligna pela sua tenacidade de sentar na chuva. Como na Alemanha ontem, existiam várias pessoas sentadas em um dia miserável no meio do nada, esperando. Todos sempre gritam e essas coisas, mas você desce a linha, as pessoas te dão livros. Alguém me deu um livro do Lawrence Ferlinghetti. Eles entregam todos esses tipos diferentes, não é como eles estivessem entregando ursinhos de pelúcia. As pessoas, por alguma razão, tem algum tipo de… (pausa) eu não sei. Crepúsculo atraiu tantas pessoas, e eles sempre ficam agrupados porque é mais fácil ter imagens de pessoas gritando e essas coisas. É um espectro estranho de pessoas. Muitas pessoas que foram nas premières na Europa já viram quatro ou cinco vezes o filme já, e todos tem críticas interessantes.

Cronenberg: E muitas dessas garotas tem cópias de Cosmopolis e todos pedem para a gente assinar. E eles leem, ou tem a intenção. Os sites que são feitos por garotas, jovens, fãs de Crepúsculo, enquanto estávamos filmando, todas leram o livro – e ficaram animadas com o projeto. Alguns sites são lindos, realmente sofisticados e ótimos. Ok, talvez só tenham lido Harry Potter e Crepúsculo – e agora estão lendo Don DeLillo! O que tem de errado nisso?

O que vem agora para os dois? Os dois deveriam estar trabalhando juntos no Map of The Stars, uma adaptação da história Jonathan Lethem, As She Climbed Across the Table. Isso já foi tudo confirmado, certo?
Cronenberg: Está? Você achou o financiamento? Você pode trazer o dinheiro? (risadas)

Pattinson: Você provavelmente sabe melhor do que eu! Eu quero. Vou começar a falar disso para conseguir um financiamento!

Cronenberg: Cria algum interesse, só falar sobre isso e estranho é que conta. Existe um script brilhante de um amigo meu que é escritor Bruce Wagner – ele escreveu a algum tempo atrás e tentou fazer alcontecer a cinco anos atrás e não conseguiu. É um daqueles scripts ótimos. De uma maneira parecido com Cosmopolis – não é fácil de vender. É o topo do sórdido, de uma maneira perturbadora e tem emoção, assim como Cosmopolis eu acho. No fim do filme, Cosmopolis é estranho, esquisito, triste e emocional, e te assusta, porque você não acha que vai estar lá, e é dessa maneira que o livro me prendeu. É difícil fazer filmes difíceis e mesmo quando você tem atores com crédito que trazem intenção e coisas - Viggo Mortensen quer fazer outro papel em {Map To The Stars} – e com esses dois caras você pensaria “hey, 15 milhões aqui não é problema,” mas não é desse jeito.

Fonte | Tradução: Desirée

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