Nick Osborne, produtor de “Lembranças”, menciona Robert em entrevista

Traduzido/Publicado por Deia Almeida em 18 Jan 2013


O site “Spunk-Ransom.com” teve uma oportunidade única de entrevistar o produtor/diretor do filme “Lembranças” estreado pelo Robert Pattinson, e que, recentemente lançou seu primeiro romance, o livro “Refuge”. Segue abaixo um pequeno resumo da sinopse do romance:

“Em uma noite empoeirada e sufocante, Noor Khan, uma linda e corajosa refugiada afegã, encontra cara à cara com Charlie Matthews, um jovem enfermeiro americano, trabalhador e impetuoso. Para a raiva de Noor, Charlie acaba quebrando todas as barreiras culturais existentes entre eles dois e passa correr atrás de Noor. Mas ela simplesmente não o quer de maneira alguma: a sua única meta na vida é a de é ganhar uma bolsa de estudos no exterior para que ela possa escapar das misérias dos campos de refugiados.

No entanto, quando o irmão de Noor começa a tentar casá-la, ela é forçada a procurar refúgio na casa de Charlie, dentre vários lugares que poderia ter ido ela escolhe este. E, desse modo, passa a questionar-se acerca de tudo que ela até então acreditava.
A história se passa na cidade mística e efervescente de Peshawar, onde ninguém é muito confiável, “Refuge” é um livro atemporal e conta a história de um amor inesquecível e avassalador; a luta pelo amor, em um mundo cheio de envoltos de crueldade e cinismo.

Toda a equipe do site foi capaz de ler o romance e se envolver na discussão com o Osborne sobre seu livro. Estamos entusiasmados para poder compartilhar esta sessão de Q & A (perguntas e respostas).

Além de nos conceder esta entrevista, o Osborne ainda nos cedeu três exemplares autografados de seu livro! Nós falaremos de todos esses detalhes logo mais abaixo!

CUIDADO, POSSÍVEIS SPOILERS LOGO ABAIXO:
Exclusivo Q & A com o autor Nick Osborne sobre seu livro “Refuge”:
O que te inspirou fazer o livro?
Quando eu tinha dezoito anos, passei 12 meses trabalhando em Peshawar (no Paquistão), bem como voluntário em uma escola paquistanesa e em um campo de refugiados afegãos. Foi uma experiência que deixou uma marca indelével na minha alma. Ao mesmo tempo, eu sempre amei histórias de amor épicas (Jane Eyre, Anna Karenina, Bandolim de Corelli) e sempre teve o desejo de escrever um livro. Então foi algo que surgiu bem naturalmente, a ideia de criar uma história em um mundo que eu já havia vivenciado antes na minha vida, encaixou-se tão bem, bem como criar dois personagens que vem de origens tão distintas.

Os personagens foram baseados em alguém que você conheceu?
Bem, sim e não ao mesmo tempo. É “Não” no sentido de que para além do Deus “Wali”, não há mais ninguém especificamente que eu tenha me baseado para com os demais personagens; e “Sim” no sentido de que obviamente incorporei certos aspectos, características de pessoas que eu conheço ou já conheci- Por exemplo, a personagem Noor, é uma amálgama, uma mulher muito forte e corajosa dentre tantas que eu admiro que são assim, como minha esposa.

Você pretende voltar para o sul da Ásia em breve?
Eu adoraria voltar para Peshawar, onde morei por 12 meses, mas a Peshawar de hoje é muito diferente da de 1991.  Era um lugar (eu inclusive cheguei a sacar arma por umas duas vezes na época), mas atualmente é ainda pior, ainda mais para quem mora lá (especialmente para aqueles da região oeste), com ataques de bombas suicidas constantes, e mortes. Quando eu morei no Paquistão eu conseguia ir até as localidades tribais como “Parachinar”. Isso com certeza é algo que hoje em dia seria impossível de fazer.

Você acredita e espera que o romance vai  trazer um pouco à tona a vida de muitas mulheres que vivem no Paquistão/Afeganistão em condições como a de Noor? (Ou seja: sendo colocadas para escolherem entre a educação e a obediência e obrigação em se casarem?!).
Minha maior esperança era escrever uma história que mudasse as pessoas de fato. Contudo já ficarei satisfeito se tão somente der um alerta, uma pequena luz nessas questões tão emblemáticas na atualidade e que são por vezes negligenciadas.  Recentemente eu escrevi um “post” sobre os direitos das mulheres, e o que é considerado como sendo o maior de todos é o direto que elas têm de amarem, ou seja, de poderem escolher com quem desejam estar, ao invés de serem forçadas a se casarem com quem seus parentes considerem como sendo adequado. As Nações Unidas estima que cerca de 50% das garotas afegãs são forçadas a firmarem casamento antes mesmo de completarem 15 anos; ademais, o Paquistão é o terceiro maior país  considerado como sendo perigoso para mulheres, estáticas mostram que cerca de 1000 mulheres e meninas morrem todos os dias assassinadas por crimes contra a honra. A personagem Noor é mais uma dessas mulheres que sofrem constantemente – alguém que tem sonhos e esperanças de viver sua própria vida, mas cujo irmão tenta controlar toda a situação.

Quanto tempo você levou para escrever o romance?
Cerca de 5 anos. Em verdade, acabei o primeiro livro em cerca de 2 anos, contudo, quando percebi já havia mais do que 300 mil palavras; foi aí então que optei por fazer o primeiro livro com apenas um terço de todo o texto, e deixar o restante para os livros subsequentes da série. Podem até afirmar que os personagens e os seus estilos foram muito trabalhados, mas não essa aproximidade dos dois personagens tão forte no primeiro livro. Em verdade, eu espero que o livro “Resilience”, o 2º livro da série, seja lançado em Maio.

Quanta pesquisa envolveu esse processo?
Muita. Mas eu me baseei muito em tudo que vivenciei em Peshawar. O primordial para mim nada mais era do que perceber que, ao final do processo, meus personagens eram genuínos, verdadeiros, autênticos.

A personagem Noor foi baseada em alguma relação que você teve enquanto morava lá?
Não. Uma coisa que sempre nos deixaram bem claro foi a de que, se você se envolvesse com qualquer mulher local, você poderia até morrer. A única razão que Charlie não morre na história é porque o “Aamir Khan” é uma pessoa gentil e liberal, caso contrário, acredito que ele teria sido provavelmente raptado, levado algum tiro, ou mesmo se drogado.

Se o romance fosse adaptado para o cinema, quais seriam as opções para atuar como os personagens de Charlie, Noor e Wali?! Eu sei que vocês querem que eu diga Robert Pattinson para o personagem do Charlie. E eu admito que com certeza ele atuaria brilhantemente no papel. De verdade, eu nunca pensei muito acerca de tudo isso. Mas no que se refere à personagem Noor, acredito que facilmente acharíamos, visto que a personagem teria apenas 21 anos. Ela teria de ser alguém que transparecesse ser inteligente, extremamente ética e moralmente correta, e é claro, inegavelmente, muito bonita.  Bem, para o personagem Wali, eu sempre pensei que o Omar Sharif faria muito bem esse papel 9 obviamente se ele fosse uns 60 anos mais novo!

Considerando que este livro explora um aspecto relativo às comunidades e religião, acredito que alguns americanos possam ser contra e você sofrer certa resistência de aceitação por parte destes, o que você acredita que esse livro possa trazer em termos de estereótipos e desgostos em relação a eles?! Você tem medo de que o livro não seja bem aceito?!
Bem, eu acredito que uma das primeiras coisas que eu aprendi quando fui morar no Paquistão, foi a de conhecer melhor as pessoas, independentemente a que religião pertençam, sejam cristãs, hindu, muçulmanas, ou mesmo ateus. Todas elas tem as mesmas esperanças e medos. Todas amam seus filhos, temem pela seguranças destes, querem viver em paz, e, como quaisquer outras pessoas no mundo, tentam buscar um significado em suas vidas. Elas também comportam certos aspectos negativos que lhes são comuns: preconceitos, ciúmes, inveja, ganância... Isso é o que nós devemos nos ater.  Por exemplo, uma criança perdida no Afeganistão não tem a mesma repercussão do que uma criança que está perdida nos Estados Unidos. Ainda bem que livros como o “Caçador de Pipas” existem e trazem á tona todas essas emblemáticas atuais, e obtém grande sucesso, por isso não acredito que o tema será um empecilho para atrair o leitor.

O que te motivou a deixar de ser produtor, para ser um escritor? O que mais te agrada fazer, o que é mais difícil?
Apesar de todo, eu inda produzo, faço trabalhos como diretor, mas por agora meu foco foi redirecionado para escrever, ser escritor.  Tem muito clichê por aí de que todo diretor frustrado um dia passa a ser escritor. E no final das contas eu acredito que seja porque eu queiro ter o controle sobre minhas próprias histórias criadas, e só tinha uma certeza: a de que eu gostava de criar romances, e, haja vista que escritores de TV e de filmes escrevem tão somente o que outras pessoas determinam, preferi escrever livros. Ambos os trabalhos, entretanto, são difíceis em cada uma de suas especificações, mas escrever me dá um senso de realização por completo e que se materializa ao final de cada dia. Já produzir pode se tornar algo muito frustrante, com dias e semanas que passam e parecendo que nada mudou- é um dos trabalhos mais difíceis e ingratos do mundo.

Como é a nossa última pergunta, queremos saber como os fãs de Rob Pattinson podem vir a ler este livro, alguns deles podem não perceber que você era o produtor do filme “Lembranças”. Você acha que haveria certo apelo aos fãs de “Lembranças" em relação a este livro? Você pode tirar alguma semelhança?
Quando li pela primeira vez o roteiro do filme “Lembranças”, o que mais me impressionou não foi apenas a intensidade da história de amor dos personagens, mas também a sensação de que estamos de fato neste mundo por uma brevidade tão ínfima que é melhor fazermos as coisas que queremos e amar àqueles que queremos. O personagem Charlie (do livro) é bem diferente do Tyler (Robert Pattinson), pois Tyler ficou amargurado desde que seu irmão mais velho morrera, já o Charlie lida com a perda de sua mãe de uma maneira mais positiva, menos amargurada. Mas mesmo assim, os dois acabam lidando com problema em comum: com a Ally e com a Noor, esses personagens encontram o amor que, além de pertencerem à mundos distintos, mas ajudam a lidar com essa busca em descobrirem o porquê de tudo isso que sofrem. Eu sempre gostei muito de dramas, mas com o humor seria ainda melhor. Eu acho que tanto em “Lembranças” como no romance, eu consegui mesclar isso. Não tenho a pretensão de ser um escritor tão bom quanto Will Fetters, em minha opinião, ele é simplesmente brilhante, mas eu espero que este romance cheguem até às pessoas de forma positiva, como eu me senti ao ler o roteiro de “Lembranças”. O que fará com que as pessoas passem a se questionar um pouco mais acerca de suas vidas e trajetórias.

Visite o site oficial de Nick!
Como a página do romance no Facebook!
Siga Nick no Twitter!
Gostaríamos de agradecer pessoalmente o Sr. Osborne para a oportunidade de aprender mais sobre o livro!

Fonte | Tradução: Carol Almeida

Powered by CuteNews