'Amanhecer' envia a mensagem errada?

Traduzido/Publicado por Deia Almeida em 27 Nov 2011


Nunca foi, é claro, uma pergunta se milhões de americanos iam sair correndo para ver "A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1" neste fim de semana, o que fizeram - cerca de 18 milhões de pessoas, para ser específico. Para efeitos de comparação, que está ligeiramente atrás do número de pessoas que assistiram no ano passado a final do "American Idol" - já que o estúdio Summit Entertainment arrecadou 139,5 milhões dólares em bilheteria para o mais recente filme de Kristen Stewart e Robert Pattinson.

A grande questão, porém, pode ser o que esses milhões ficaram pensando depois que eles deixaram o cinema, particularmente nas áreas de sexo, amor e parto, as áreas em que a direção de Bill Condon e o roteiro de Melissa Rosenberg, tem muito a dizer.

Uma rápida recapitulação, no caso improvável de que não haja um Twihard perto de você. Neste quarto capítulo da franquia de filmes de vampiros, adaptado de cerca de metade do último livro de Stephenie Meyer na série "Crepúsculo", Bella Swan (Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Pattinson), finalmente consumam seu amor. Embora ainda seja uma adolescente, ela se casa com Edward em um romance brilhoso enquanto o lobisomem que muda de forma Jacob (Taylor Lautner) paira nas proximidades. O casamento leva a uma lua de mel surpresa no Brasil, bem como a defloração de Bella (para não mencionar as plumas; homens vampiro e travesseiros são, aparentemente, uma combinação perigosa).

Mais conspicuamente, os resultados da noite de sexo do casamento resulta na gravidez de Bella com uma espécie de híbrido humano-vampiro, que logo ameaça a vida de sua mãe. Contada sobre o perigo, Bella não considera nem ao menos interromper a gravidez.

Este último acontecimento foi discutido um pouco pela crítica feminista, que apontam que Meyer é uma mórmon que foi aberta sobre sua fé influenciar seus romances. Eles ressaltam que o livro tem uma mensagem anti-aborto, especialmente quando Bella está propensa a correr dizendo às pessoas para chamar o seu feto de bebê. Como a escritora Natalie Wilson se posicionou em uma nova edição da revista Ms.:

"A forma como a gravidez de Bella é retratada e discutida - juntamente com as fortes mensagens pro-abstinência da saga, os fundamentos religiosos e o tom a-maternidade-é-o-final-natural-e-feliz-para-todas-as-mulheres - resultam em uma narrativa que se apoia muito mais em relação a postura anti-aborto".

Uma conclusão bastante justa, embora deva-se dizer que "Amanhecer" não é o primeiro filme de Hollywood que deixa de lado a possibilidade de aborto no caso de uma gravidez indesejada. "Knocked Up", um filme longe de ser a fantasia adolescente da autora mórmon, tomou uma abordagem similar. Manter o bebê é sempre muito mais dramaticamente oportuno do que a alternativa, especialmente quando há uma seqüência a ser feita.

Mas um problema maior surge bem antes de Bella chegar ao estado de dar a luz. Como um conto de fadas, "Crepúsculo" tem sempre o espetáculo de fantasia - dois caras lindos, o desprezo deles um pelo outro por causa do seu amor pela menina, que parece não ter que fazer muito para ganhar o seu afeto. Mas foi no reino de conto de fadas. Como seguem Bella e Edward para a próxima fase de sua vida, porém, o quarto filme entra em um espaço mais adulto. E sua mensagem, inevitavelmente, fica mais carregada.

No mundo de "Amanhecer", aparentemente, o sexo é tão sagrado que só pode ser praticado em uma noite de núpcias, e depois de uma viagem gloriosa para uma praia no Brasil - uma experiência de perder a virgindade bem próxima da nossa realidade assim como a visão de homens adultos se transformar em lobos.

E então, naturalmente, há o fato dos resultados do sexo em uma gravidez imediata. Você não precisa prestar muita atenção para ver o puritanismo deste estória de Meyer-Rosenberg, que implicitamente adverte que todo o sexo tem consequências importantes, até mesmo o sexo do tipo sancionado e pós-casamento.

Sempre houve um pouco de paradoxo em uma determinada posição conservadora sobre o sexo, uma que diz que é tão sagrado que exige esperar por um momento monumental (como em uma viagem de lua de mel para o Brasil), mas também traz consigo tal mancha que ele só pode levar a, digamos, um monstro crescendo dentro de você. Em cerca de 10 minutos de exibição, "Amanhecer" sugere ambos.

Isso tudo ainda é fantasia, é claro, não se deve levar tão a sério. Mas, como professores da Universidade de Missouri, Melissa Click, Jennifer Aubrey Stevens e Elizabeth Behm-Morawitz se perguntam em seu livro "Mordidas por Crepúsculo", alguns desses elementos devem ser passados para os telespectadores jovens que são influenciados por ele.

"Embora tenhamos evidências de que os fãs estão pensando criticamente sobre 'Crepúsculo'", Behm-Morawitz disse em um comunicado na semana passada, "é a sutileza das mensagens [socialmente conservadoras] sobre gênero e sexualidade que continuam preocupantes."

Em outras palavras, há espaço, mesmo em uma alegoria adolescente, para mostrar as conseqüências do casamento e sexo adolescente. A complexidade emocional, por exemplo, ou os efeitos da pressão do seu par em "Amanhecer", a maioria disso é escovado para debaixo do tapete em favor de uma lição diferente: Você deve esperar até o casamento para ter sexo pela primeira vez. Então, quando o fizer, pode resultar em um monstro com risco de vida, um monstro que em todas as circunstâncias devem ser levadas adiante.

Fonte | Tradução: Josi Teixeira

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