Entrevista para a revista Cinemania

Traduzido/Publicado por Ári em 02 Nov 2009


Não poderia ser de outra maneira: olhar sedutor, pele pálida, sorrisinho inocente, atitude etérea, tudo faz com que eles vejam como se ele não fosse desse planeta, ou dessa época pelo menos. Não é tão difícil de imaginar porque ele é um vampiro que pode fazer com que qualquer um se apaixone por ele. Como se isso não fosse o bastante, ele é gentil, tem um ótimo senso de humor e gosta de rir de si mesmo. E ele tem ainda um estilo legal: calças pretas apertadas, camisa branca com listras pretas. Não é estranho ver porque há centenas de garotas esperando por ele do lado de fora de nossa tenda no Festival de Cannes. Algumas delas estão gritando de um terraço, gritando como se elas pudessem perder suas vidas sem um autógrafo ou sorriso do
ator. Mas Pattinson está completamente inconsciente disso, pelo contrário, ele brinca com a sugestão de ser um símbolo sexual. Nós começamos a nossa entrevista com o barrulho distante de fãs, e com a segurança de que um astro verdadeiro está nascendo.

“Mmmm... Eu não posso dizer nada sobre Lua Nova ainda, me pediram para manter as expectativas em alta, mas eu posso dar a você alguns poucos detalhes, tudo bem?”, ele disse assim que nos sentamos. “O lugar é bastante peculiar, não é?”, ele brinca enquanto ele puxa a cadeira na qual ele sentará: um tipo de trono que cria o humor para um lugar minimalista e sofisticado, e mesmo com ele aparentando estar bastante cansado, já que ele não parou de dar entrevistas e atender aos tapetes vermelhos do festival francês, ele faz um esforço para não mostrá-lo e fica animado quando começamos a conversa após concordamos com o seu acordo.

“Eu posso dizer que a cena mais estranha que filmamos foi em uma escola no Canadá. Quando nós chegamos lá, ainda havia uma abundância de alunos tendo aula e eu tive que ir circulando pelo local. Foi estranho, porque a cena era bastante complicada. Houve uma sensação que eu ainda não consigo realmente descrever (risos). Eu acho que, no geral, essa sequência será muito mais complexa, despersonalizada e fará com que meu personagem tenha outra dimensão,” ele nos assegura.

Mas não haverá apenas transformações nessa sequência, o próprio Pattinson tem experimentado uma mudança na forma como aborda este território. “Quando nós estávamos filmando Crepúsculo, eu costumava dizer que me deixava nervoso estar ao redor de tantas pessoas da multidão. Entretanto, é estranho como essa sensação mudou em Lua Nova. Talvez tenha a ver com se acostumar com o que significa estar em um conjunto tão grande, e, no geral, uma super produção. Honestamente, eu fiquei surpreso em como eu estava relaxado o tempo inteiro. O que não é uma coisa normal para mim. Eu me senti bastante confiante da primeira vez, eu realmente entendi o sentido do filmes, aonde Chris queria levá-lo e o que nós queríamos contar, as emoções, o humor, tudo por trás de Edward.”

“Eu aprendi bastante com Crepúsculo, e eu não havia percebido até que eu voltei para a sequência. Foi quando eu descobri as novas ferramentas que eu tinha adquirido. Por exemplo, as coisas que mais me preocuparam não eram mais importantes. Você perde o medo de estragar tudo, você aprende a tentar novas técnicas, e isso é ótimo. Você adquire uma nova confiança como ator, e mais liberdade também. Eu espero que isso seja um processo que nunca acaba.”

“Agora eu entendo porquê com os anos, melhores papéis vêm até você. Você precisa de muita experiência para captar as emoções com a câmera e fazer a sua filmagem. Mas eu acho que eu estou no caminho certo. Embora, ainda haja muito para eu aprender...,” ele diz.

Mas não é apenas um novo nível de experiência, também é um novo nível emocional. Esse vampiro parece ter mudado a vida de Rob, e é algo que você poderá dizer no filme atual, de acordo com o ator. “É claro que outra coisa que aconteceu é que eu me senti muito mais próximo do meu personagem. É incrível o valor das emoções com as quais você pode se conectar quando você conhece mais sobre ele. Isso te dá mais intuição e você fica mais natural. É como se você estivesse começando a decifrar tudo na mente dele e agindo quase instintivamente. Entrar em um papel tão intenso como este é um processo incrível. Você nunca imagina o que irá acordar de dentro de você até realize-lo e torná-lo seu.”

Edward e Robert terem se tornado tão próximos é o que os faz ter uma relação mais comprometida um com o outro.

“A coisa mais difícil para mim sobre essa sequência foi encontrar as maneiras certas de expressar sentimentos complexos. O meu personagem tem que passar por várias situações emocionais. É um papel bastante profundo, com um fundo muito especial, cheio de significados escondidos. Algumas vezes, tentar exteriorizar isso e realize-lo do modo certo, pode ser bastante difícil.”

Apesar de Robert não saber o que ele tinha que fazer na maioria das vezes, se há alguma coisa que ele aprendeu é conhecer cada milímetro dos limites do que esse vampiro podia fazer, “Eu acho que eu desenvolvi intuição suficiente para saber ao menos que tipo de decisão Edward jamais tomaria. E eu acho que isso é algo que a audiência também sabe. As pessoas que verem esse filme, sejam elas peritas ou
não nos filmes, poderão dizer se os atores tomaram as decisões certas
ou não. E isso é algo que acontece nos filmes em geral. As pessoas sentem a química que você tem como parte da audiência em frente da grande tela e o que isso pode transmitir a você é algo muito especial. Esse é o motivo de ser importante levar isso a sério, cada cena, cada pequena decisão conta. Você pode sentir, o resto do elenco e a produção podem sentir, e as pessoas irão sentir! Há uma conexão tão grande entre a audiência e o filme, a qual eu não consigo parar de me surpreender, e é uma coisa que eu respeito muito. Eu sempre tento dar o melhor de mim em cada tomada e estar preparado no momento em que eu chego ao set. “Não é um jogo, embora, é claro, seja divertido fazer o meu trabalho. E isso é uma grande fortuna.”

“Para mim, os filmes são parecidos com a vida, e relacionamentos. Algumas vezes você não sabe como encontrar a pessoa certa, Mas ao menos você sabe no que você não está interessado. O mesmo acontece com roteiros e histórias (risos). Há projetos que você quase imediatamente sabe que são para você e que você estará apto para fazê-los naturalmente, e outros que você tenta imaginar e você sabe que eles não são para você. Isso lhe soa familiar?” ele me pergunta.

E isso nos traz para um território muito importante na vida do ator, porque aos 23 anos ele foi colocado debaixo de todas as atenções do mundo. Mas aqui vem a melhor parte: o planejamento de sua própria carreira, “Eu não parei de trabalhar esse ano e eu estou envolvido em vários projetos diferentes além de Crepúsculo e Lua Nova. Eu posso dizer a você que a maioria dos papéis que eu escolhi e em cada personagem que você me verá no futuro, tem uma orientação bastante pessoal, porque essas são histórias que eu senti que deveria fazer.  Não me pergunte o porquê, eu apenas sabia! Mas a verdade é que, eu não tenho planos, e eu também não estou seguindo uma estratégia. Eu apenas tento ser fiel ao que meu coração diz-me, e isso é tudo.”

“Eu acho que nesse sentido, eu sonho com coisas que todo ator sonha: fazer coisas pelas quais eu sou apaixonado, e coisas das quais eu me sinta orgulhoso, isso soa muito simples, mas é difícil conseguir porque na indústria do cinema haverá sempre pequenos fatores que não dependem de você.”

Outra semelhança que ele tem com o seu personagem, que surpreendentemente nunca é visto como um vampiro, é a sua capacidade analítica e o modo como ele pensa sobre cada aspecto da sua vida.

“Eu acho que o fato dele ser um vampiro é o que menos o define. Realmente. Eu sei que é difícil de acreditar, mas para mim essa é uma condição que apenas faz parte das diferentes circunstâncias da vida dele. Ele pensa sobre as coisas de uma maneira bastante realística, ele acha que tomar uma decisão ou outra é uma coisa muito importante de acordo com as coisas que se apresentam a ele e o que o seu coração realmente lhe diz. Várias dessas decisões são novas, e é a primeira vez que ele tem que tomá-las, e isso é o motivo de ser tão importante para ele pensar e estar ciente do quão longe ele pode ir com cada passo que ele dá.”

“Nesse sentido, isso é o mais próximo do que eu me sinto com relação a ele. Há um grande grupo de novas emoções e experiências que são novas para mim e eu estou aprendendo com elas. Um exemplo? Pensei em comemorar meu aniversário no bar que eu vou todos os dias e eu nunca pensei no agito que isso causaria... Só eu posso ser tão óbvio! Eu aprendi que as coisas mudaram na minha vida. E agora eu tenho que pensar duas vezes sobre onde eu vou, com quem, quando, e por quê. E acreditem, não é fácil chegar a esta conclusão.”

Mas apesar do ator britânico não estar acostumado aos agitos que ele causa colocando os pés na rua, ele não se arrepende nenhum pouco de ser parte de Crepúsculo. “Foi bastante interessante ver como tudo
aconteceu, porque ninguém imaginava como esse filme seria ou o quão longe esse projeto iria.”

“Sabíamos que seria uma coisa muito diferente do que tinha sido visto anteriormente sobre vampiros, e a única coisa que estava clara para mim era que eu tinha que fazer disso um personagem divertido para se fazer, um desafio novo meio arriscado. Esse é o motivo pelo qual eu escolhi Edward. E sim, tem sido parte de um processo muito importante em minha vida, algo que tem me surpreendido pouco a pouco, e se tornou algo mais profundo do que eu jamais havia imaginado e tem me dado possibilidades infinitas para as minhas performances. E ainda, há algo que eu amo, que me conecta mais profundamente com ele, e é o quão perto Edward é das suas emoções. A hipersensibilidade que ele tem para ler as outras pessoas me fascina. O poder de estar tão consciente de si próprio e ser tão introspectivo, é uma parte com a qual eu posso me relacionar bastante e me encaixa.”

Pattinson não é apenas um ator carismático e sensível, ele é também um músico prendado. Então não é estranho ver que a trilha sonora desse filme foi também um local onde ele pode aprender. “Você não sabe o quão feliz me fez que as minhas músicas em Twilight foram um sucesso, Se você for na internet e ver o que Alexandra Patsvas conseguiu por causa disso, você verá que é incrível. Antes desse projeto ela já era bastante famosa, e apesar de isso ser apenas uma parte da carreira dela e de sua história de sucesso, é algo que tem sido muito importante para ela também, e de outros músicos que trabalharam nesta trilha sonora. Isso é quando eu posso dizer que a fama fez algo de bom e tem contribuído para alguma coisa. Quando você coloca os nomes dos principais músicos de baixo lá fora, pessoas que têm muito talento, mas não tiveram a oportunidade ainda, é um privilégio para mim e eu valorizo isso.”

“E não é apenas Alexandra. Há outros músicos que não tinha outro lugar para mostrar seu som, exceto My Space, agora eles começam a viver de sua música e fazer coisas patrocinadas por rótulos. Então vale a pena estar nos holofotes. Caso contrário, qual é a graça de ficar tão estressado e no centro das atenções? Você concorda?” ele nos diz. Ele também compartilha que no seu tempo livre ele também escreve e toca em noites boêmias com os seus amigos, tentando manter uma vida normal.

“Para ser honesto eu cresci assistindo a filmes americanos. A maioria dos meus atores favoritos são americanos. É estranho, mas isso me fez
conseguir tantos papéis. Sempre acontece depois de uma audição, as pessoas me perguntam, ‘De onde você é?’, ‘Oh! Eu sou de Londres’ eu respondo, ‘E por que você fala como Christophen Walken?’ (risos). Aconteceu centena de vezes, e eu acho que há papéis em que é necessário ter esse tipo de sotaque, mais comum, mais Christophen Walken. E é engraçado porque eu nem sequer tento soar desse modo, vem naturalmente para mim. É estranho perceber que você tem criado um personagem completamente diferente dentro de você, sem estar
consciente disso, você apenas mudou a sua voz.” Ele nos diz reconhecendo que ser britânico foi também uma coisa importante que deu ao vampiro uma certa elegância e atitude. “Eu não sei se é porque eu sou britânico, mas a maioria do elenco do sonho de Stephenie Meyer foi feita de atores britânicos. Eu acho que tem a ver com o mito americano de que as pessoas inglesas são mais clássicas, mais antiquadas, como a ideia que as pessoas têm de vampiros.

“Como todo mundo sabe, Edward não é um vampiro convencional. Ele não tem presas, ele não morre se a luz do sol o tocar. Mas eu acho que em Lua Nova tem algo mais misterioso sobre ele, há conflitos de moral. Eles me lembram bastante dos vampiros de Entrevista com o Vampiro. Eles são seres que não queriam ser assim, eles não queriam essa condição. Eles eram pessoas normais que, de repente, tiveram de lidar com coisas novas. É muito complicado, porque eles têm de continuar negando o que são. Eles não querem matar, mas é da natureza deles. E eu acho que a pergunta que os livros fazem é ‘vale a pena negar quem você é?’ Acho que a resposta é sim, no sentido de que, se você deixar pra lá significaria matar pessoas. Esse é o drama real por dentro dessa história. Apesar de não ter presas e estar lá fora com a sociedade, há uma parte de Edward, que nunca sairá completamente, e ele tem que se reprimir pelo resto de sua vida. É uma coisa muito difícil, e a história tem um significado mais profundo do que você poderia pensar à primeira vista".

É surpreendente a maturidade em que Robert Pattinson assumiu esse
papel, e como ele lida com sua vida pessoal. A verdade é que a estrela não quer parar de ficar animado e sentindo. Como qualquer adolescente, “Eu sou alguém que está muito feliz com as coisas mais simples da vida. Meus amigos são bastante importantes para mim, assim como a minha família e as pessoas que eu amo em geral, Eu amo música, filmes, sair para beber e se divertir. Todos os dias, coisas normais, mas que eu vivo com paixão. E é claro, eu continuo trabalhando para crescer ainda mais. Eu acredito que isso irá acontecer. Não tem que ser diferente. Quando você trabalha para o que você quer e dá todo o seu coração para isso, tudo vem no seu próprio tempo. Você tem que confiar na vida” ele termina quando ele brinca com seu cabelo e espera por nós para parar a gravação para se despedir com um beijo. Em menos de um minuto, uma comitiva de agentes, publicitários e escolta o levam para um lugar diferente. E é como se estivéssemos falando de um fantasma, esse doce vampiro desaparece entre a multidão.

Traduzido por: Iana Louise

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