Entrevista completa de Robert Pattinson para Vanity Fair

Traduzido/Publicado por Milla em 15 Mar 2011


 

Robert Pattinson não gosta de voar mais, porque voar significa aeroportos e aeroportos significam encontrar pessoas que podem ficar malucas quando o veem, gritando e chorando, e tentando tocá-lo e pedindo que ele morda seus pescoços. Tímido, para um ator, Pattinson, que completa 25 anos no próximo mês, diz que acha a histeria que o envolve desde que ele apareceu pela primeira vez como o vampiro adolescente charmoso Edward Cullen, no primeiro filme de Crepúsculo, em 2008, “muito estranha”.

“Essa coisa de todo mundo conhecer você”, ele diz um dia em Baton Rouge, onde ele está filmando a quarta e quinta partes da saga Crepúsculo, Amanhecer: Parte I e Parte II, “é estranho, porque as pessoas têm esse relacionamento unilateral, onde elas olham para sua foto e sentem que conhecem você mais do que alguém que elas de fato conheçam.” E, Pattinson acrescenta, “Eu nem me conheço tão bem.”

E então – devido à sua aversão a viagens aéreas, e o seu sentimento de que ele poderia dedicar algum tempo a conhecer a si mesmo – Pattinson decidiu que, quando ele teria que ir de Los Angeles a Nova Orleans para se juntar ao elenco de Crepúsculo em Novembro, ele iria dirigir. “Foi incrível”, ele diz sobre a viagem, que ele fez com dois amigos de Londres. “Eu viajei por estradas alternativas o tempo todo. Eu as navegava em um iPhone”.

Essa aventura ‘Kerouaciana’ atualizada os levou através do Arizona e Novo México, onde eles descobriram a pequena cidade Nativa Americana de Zuni. “Não parecia América nem um pouco”, Pattinson diz de forma nostálgica. “Eu e meus amigos éramos as únicas pessoas brancas.”

Eles pararam em um bar em Lobbock, Texas, onde pela primeira vez até onde ele se lembra, ele se sentou e tomou uma cerveja, imperturbado por paparazzi ou fãs. “Ninguém me reconheceu nem nada”, ele diz, “E eu estava tipo, Ah, isso é muito legal, sentar lá comendo asas de frango e tal.” Ele tinha estado procurando por um lugar onde ele pudesse sentir como é simplesmente ser ele mesmo, e achou que ele havia finalmente encontrado.

Mas então algo aconteceu. A notícia se espalhou. “Eles sempre descobrem de alguma forma”, ele diz resignado. De repente havia milhares de pessoas na rua e a polícia teve que se dirigir até lá e controlar a multidão. Um segurança do bar perguntou a ele “Você quer que a gente vá e apague alguém?”, e Pattinson diz “E eu estava tipo, ‘O que você está falando? Você não precisa bater em ninguém’.” Agora ele e seus amigos estavam presos no mesmo bar que havia sido um oásis de anonimato. Uma escolta polícia teve que levá-los de volta ao seu hotel.

Alguns meses mais tarde em Baton Rouge, Pattinson diz que ele não sente vontade de sair, uma vez que não há como prever quando uma simples ida a um restaurante possa inflamar outro tumulto. “E eu vou simplesmente ficar assim”, ele diz, abaixando sua cabeça na mesa, se escondendo na curva de seu braço. Ele levanta a cabeça novamente e – oh, uau. Ele não pode escapar de sua aparência não mais do que ele consegue fugir da atenção de suas fãs. Seu rosto tem um tipo de esplendor que uma pessoa vê nos rostos de crianças, com sua perfeita pele pálida, lábios vermelhos, grandes olhos. É difícil dizer isso de qualquer outra maneira: ele é lindo.

Mas tais superlativos provavelmente são exatamente o tipo de coisa que o faria se encolher e suar ainda mais abundantemente do que ele está agora, pela sua camisa de algodão azul-clara. Ele parece nervoso; ele diz que está nervoso. Essa coisa de entrevistas não é a praia dele. “Eu sou apenas tão entediante”, ele diz, passando as mãos repetidamente por seu espesso cabelo castanho até que fica arrepiado. “Eu simplesmente sou tão enfadonho”. Ele está fumando incessantemente American Spirits, bebendo café e água, e chá gelado Snapple, mordiscando pretzels cobertos com chocolate deixados em uma tigela para ele por sua assistente.

Do lado de fora, nós conseguíamos ouvir os rosnados dos cachorros. “Eu espero que eles não estejam matando o pobre Martyn”, afirma Pattinson, levantando-se da mesa da cozinha e espiando pela janela. Martyn é um cão de rua, o perdedor de uma matilha de cães pertencentes aos assistentes de Pattinson e  Kristen Stewart. Os assistentes nos emprestaram sua aconchegante casa alugada em uma pacata região residencial de Baton Rouge. Eles acenderam uma fogueira crepitante e velas perfumadas enquanto ele concedia a entrevista.

“Eu não sei o que há de errado comigo,” diz Pattinson, voltando à mesa. Desde que ele voltou ao set de Twilight, ele diz que não tem se sentido muito bem. “Meu cérebro não funciona mais. Eu não tenho memória. Eu não consigo escrever. A única coisa que eu consigo fazer é escrever o meu nome. Outro dia eu tentei escrever – mas parecia que eu estava escrevendo em braille.” Eu pedi para ele escrever no meu bloco de anotações; ele escreveu; e é ilegível. “Viu?” diz ele. “Parece que aranhas escreveram isso.” Há um elemento cômico em sua própria descrição desanimadora do seu estado mental, mas ele também está sendo sério. Parece que as restrições de viver na imensa bolha de sua fama está começando a afetá-lo. “Eu parei de fazer muitas coisas,” diz ele. “Eu nunca troco de canal no meu trailer. Eu só assisto as reprises de House of Payne e Two and a Half Men. Eu amo Cops – eu acho que é o meu programa de TV favorito. “Deus,” diz ele rindo, “Eu soo como um perdedor.”

Me acorde quando isso acabar

“Kristen é muito focada em ser atriz”,
diz Pattinson sobre Stewart. “Eu acho, que é isso que ela é, ela é uma atriz. Considerando que eu não entendo muito bem.”

Entre as várias coisas que sempre seguem Pattinson onde quer que ele vá, está a questão sobre a natureza de seu relacionamento com Stewart, 21. Há fortes rumores de que eles vivem um tórrido romance, eles se recusam a confirmar (nem mesmo Oprah conseguiu arrancar isso deles). Outros boatos dizem que a história do romance é somente para a publicidade dos filmes.

“Você está me perguntando se eu realmente sou um vampiro?” pergunta Pattinson, rindo, quando eu me juntei ao ruidoso coro, perguntando se seu amor das telas é reflexo do seu amor da vida real. Enquanto eu esperava por uma resposta, Pattinson literalmente começou a se contorcer. “Sim. Hum. Não, não de verdade,” responde. “É muito difícil de... É somente muito traumático,” responde enigmaticamente.

 “Eu quero dizer, vocês são muito intensos, um em relação ao outro?,” eu perguntei. “Oh, eu não sei,” diz ele finalmente. “Ela é legal, Mesmo antes de eu conhecê-la eu já a achava uma atriz muito boa. Sabe, eu assisti In The Wild, e eu achei ela realmente boa. Eu ainda acho que há poucas garotas da sua geração tão boas quanto ela. É engraçado que ela seja a única que está fazendo está coisa tão grandiosa.” Isso é Crepúsculo. “Quando isso acabar,” diz Pattinson, se referindo a imparável máquina do entretenimento que é Crepúsculo, “a mídia vai perder o interesse” no seu suposto relacionamento. Ele espera. “Não vai ter nada para comentar. E isto não combina com as manchetes. Não combina com os padrões.”

Mas a grande questão para Pattinson – e ele parecia dolorosamente assustado – é se quando toda essa loucura de Crepúsculo realmente terminar, se ele vai conseguir voltar a ser somente Rob, independente do que isso signifique. O quarto e quinto filme da série não serão lançados até novembro de 2011 e 2012, e com fãs obcecados, denominados Twi-hards (sem mencionar a máquina de marketing que é Summit Entertainment) não é de se surpreender se o fenômeno se prolongasse até em quando as adolescentes ainda gostassem e não tivessem nada melhor para fazer.

Um papel icônico como o de Edward Cullen, prova o quão letal é a mordida de um vampiro na carreira de um jovem ator, ao contrário da imortalidade, fama e fortuna que o filme traz. (Este ano, Pattinson ocupou a posição 15 na lista da Vanity Fair “Top 40 de Hollywood” que cita quem ganhou $27.5milhões em 2010).

"Há uma recompensa enorme," Pattinson diz, mas "estar em um buraco de pombo agora , é muito estranho. Ter a pessoa pública reconhecida, é a coisa que provavelmente faria você pagar por isso - mas é também a coisa que virtualmente qualquer ator no mundo não quer.Porque, como, ninguém poderia acreditar em mim se eu quisesse interpretar alguma coisa ultra-realista como um gânsgter ou algo do tipo".

Eu perguntei a ele se ele poderia romper e fazer algo completamente diferente - como Shakespeare. "Se eu fizesse isso agora eu seria assassinado," ele disse isso com uma risada pesarosa. "Todo mundo estaria como, mas que porr*?"

Ele se encontra numa posição constrangedora, não sabendo se ele realmente quer ser ator para sempre, mas também vê a possibilidade de nunca ser permitido se mover além de um papel em particular. Ele soa saudoso enquanto fala sobre a carreira dos contemporâneos que ele admira, como Jesse Eisenberg ("Ele é realmente legal") e James Franco ("Ele está fazendo algo realmente interessante com a sua carreira").

"Eu tenho dito sempre aos meus agentes e tal, tipo, vai passar 10 anos antes que as pessoas esqueçam Crepúsculo," ele disse. "E isso é totalmente compreensível. Normalmente as pessoas ficam trabalhando e trabalhando até sua grande ruptura. Você só tenta fazer o melhor de suas decisões. Como eu tento pensar como eu costumava pensar antes de todos os filmes de Crepúsculo." E aqui está como ele decidiu fazer um filme sobre um elefante.

Show da Tromba de Elefante

Água para Elefantes, nos cinemas esse mês[lembrando que a revista é de abril], é baseado no romance best-seller de 2006 de Sara Gruen sobre um circo viajante durante a Depressão. Pattinson interpreta Jacob Jankowski, um estudante de medicina veterinária que perde seus pais em um acidente de carro e salta em um trem de circo, se tornando um tratador de animais exóticos, incluindo um muito problemático elefante.

"Eu não ficaria surpreso se Rob dissesse que a razão pela qual ele pegou o filme foi por causa do elefante," diz o diretor Francis Lawrence (Constantine, Eu sou a Lenda). "Ele realmente se apaixonou pela elefanta."

"Ela foi o melhor ator que já trabalhei em minha vida," Pattinson disse de Tai, sua co-star elefante indiana, que mora no sul da Califórnia, onde foi filmado a maioria do filme. (Tai apareceu na capa da Vanity Fair em 1992, posando com Goldie Hawn.) "Eu chorei quando a elefanta foi coberta pela manta de viagem," ou filmou a última cena, disse Pattinson. "Eu nunca chorei quando alguém colocou uma manta de viagem".

Mas uma das razões principais que ele escolheu fazer o filme foi que Jack Fisk, um design de produção indicado ao Oscar (Sangue Negro), disse a ele que pareceria como Terrence MAlick em 'Cinzas no Paraíso', que Fisk fez a direção de arte em 1978. "Eu tinha uma imagem do que poderia parecer," Pattinson disse. "Eu como que peguei as coisas de uma maneira estranha."

"Ele é um cinéfilo," diz Reese Witherspoon, que interpreta Marlena, uma artista de circo e o interesse amoroso de Pattinson no filme. (Em 2004, quando Wintherspoon tinha 28, Pattinson, então com 18, interpreta seu filho em Feira das Vaidades, mas a filmagem foi cortada na sala de cortes, então, ele disse, "Esse não conta.")

"Para um jovem garoto que vê tantos filmes é realmente maravilhoso," Witherspoon disse. "Eu mencionei Design for Living" - o Ernst Lubitsch - uma comédia de Gary Cooper de 1933 - " e eu fiquei tão surpresa por ele ter visto."

"Ele é um pouco como um estudante de cinema," diz Lawrence. "Ele assiste muitos tipos de coisas e pode falar sobre filmes muito inteligentemente."

Ainda, Lawrence admite ter ficado "preocupado," antes de conhecer Pattinson, sobre escalá-lo para Água para Elefantes. Os filmes de Pattinson, sem contar a bilionária série Crepúsculo, estiveram bem longe de ser um estouro de bilheteria.Ele fez diversos pequenos papéis em filmes antes de pegar o papel de Edward Cullen, e então Remember Me em 2010, que não foi beneficiado com a vivacidade de Crepúsculo.

"Os filmes Crepúsculo são tão estilizados," Lawrence diz, "você imagina o que o ator pode fazer. Mas então depois de conhecer Rob, eu realmente me acalmei. Ele tem a coisa, ele é magnético. Ele é realmente uma estrela de cinema. Ele me faz lembrar James Dean. E ele se parece muito com [seu personagem em Água para Elefantes] Jacob, alguém que está apenas se tornando um homem, forte mas desconfortável em sua própria pele. As pessoas se surpreenderão. Sua performance matizada e naturalística."

"Ele está explorando quem ele é enquanto artista," diz Witherspoon. "Ele estava sempre perguntando a mim e a Christoph" - Waltz, o ator austríaco de Bastardos Inglórios que interpreta em Água para Elefantes um bruto treinador de animais, August - "para trabalhar no diálogo e no personagem com ele. Ele é muito comprometido com o trabalho. Eu ouvi tantas histórias de horror sobre jovens atores com a atitude aparecendo tarde ou de ressaca, e não havia nada disso nele. Ele trabalha tão duro."

De alguma maneira Pattinson mantem seu rosto concentrado em face a horda de Twi-hards que atormentam o set de Água para Elefantes diariamente. "Eu nunca vi nada como aquilo, nunca" Witherspoon diz. "Elas estavam esperando às 5 da manhã para vê-lo. Jovens garotas. Aonde estavam suas mães?" ela pergunta.

"Eu acho que isso é realmente irritante para ele," diz Lawrence. "Nós filmamos por uma semana no Tennesse, e as notícias correram, andando na estrada para o set parecia Woodstock. Carros por 3 quilômetros. Pessoas acampadas na grama. Nós estávamos jantando no hotel em uma sala privada, e elas estavam subindo nas janelas, então os garçons fecharam as persianas. Estão elas começaram a gritar e bater nas janelas, arranhando as janelas. E então você houve essa voz desesperada: 'Rob! Eu só queria tocar seu cabelo!'"

"Eu trabalhei com Will Swith," Lawrence continua, "e ele assinava autógrafos e todo mundo ficava feliz. Mas isso é uma coisa totalmente diferente. Rob poderia ter sido rasgado em pedaços. Eles iriam arrancar suas roupas e arrancar seu cabelo."

Nenhum Cortejo

Você tem que se perguntar como Pattinson lida com tudo. Ele não é o Leo dos anos de Titanic, andando por ai em boates com uma comitiva, tentando desestressar. Ele não é Keith Richards (cuja biografia ele diz que acabou de ler), se entorpecendo com substâncias. Pattinson diz ser “alérgico a maconha”, e agora que ele tem que se manter em forma para os filmes de Amanhecer, ele nem bebe. (Ele aparecerá sem camisa em Amanhecer: Parte 1, coisa que ele diz que temia: “Eu nunca entendi essa coisa toda da nudez. Eu tenho tanta inveja dessas pessoas que simplesmente conseguem andar por aí pelados.”)

“Eu sou um comedor compulsivo,” ele diz, meio que fazendo uma revelação. “Quando eu envelhecer eu vou ser tão gordo que chega a ser ridículo.” Mas isso é difícil de acreditar, julgando pelo seu físico magro. Ele conta uma história sobre engolir um enorme pretzel de M&M enquanto lia um livro sobre redações escrito por David Foster Wallace. “Eu entrei em um enorme colapso e literalmente despejei-o pela privada abaixo.” Ele não é Keith Richards.

O que ele parece ser é uma estrela relutante, desesperado por normalidade, e comprometido a se auto-educar. “Ele provavelmente leu uns 20 livros enquanto nós filmávamos,” conta Lawrence. “Ele sempre estava lá com seu Kindle entre as tomadas.”

Pattinson diz que entre seus livros favoritos estão alguns que falam comicamente sobre a insensatez humana: Eat The Rich, escrito por P. J. O’Rourke; e Money, escrito por Martin Amis. Ele diz ser “igual” ao narrador de Money, John Self – um publicitário executivo e viciado trabalhando nos anos 80 – e que gostaria de interpretá-lo algum dia num filme. “Esse papel foi feito pra mim,” ele diz.

Mas assim como ele, essa personagem se mantém um mistério. Ele admite que ele “nunca faz nada” – sobre coisas escandalosas – embora ele confesse que tem uma certa admiração por Charlie Sheen e suas “escapadas”. “Eu gosto de pessoas malucas que não ligam pra nada,” ele diz.

Mas Pattinson está engajado em outras conquistas de peso. Ele diz que está escrevendo um roteiro baseado num romance de Lillian Hellman. Antes que sua carga horária de trabalho se torne proibitiva, ele “costumava ir ao cinema todo dia”. Ele diz que “aprendeu muito com [diretor new wave francês Jean-Luc] Godard,” e fala uma lista de filmes japoneses obscuros que ele gosta.

“Merda,” ele diz a certa altura. “Eu sôo como um merdinha esnobe.”

Ele nunca foi à faculdade. Ele cresceu em Barnes, um subúrbio de Londres, onde sua mãe, Clare, trabalhava em uma agência de modelos e seu pai, Richard, vendia carros antigos. (Ele tem duas irmãs mais velhas, Lizzy, uma cantora, e Victoria, uma publicitária executiva.) “Ele tem uma família muito boa,” diz Witherspoon, “pessoas que o amam e o apóiam, e ele os ama e apóia igualmente. Isso tudo contribui muito para seu futuro.” 


Pattinson freqüentou uma escola para garotos, Harrodian (coincidentemente na mesma época que o filho de Mick Jagger, James), a qual ele chama de “rebuscada”. Ele diz que ele queria ser um escritor de discurso político e estava se inscrevendo para a universidade para uma graduação em relações internacionais, quando ele conseguiu o papel de Cedrico Diggory, um estudante de magia condenado em Hogwarts, em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005). Ele havia estado circulando entre atuar e modelar e, com esse sucesso modesto, decidiu que ele iria se mudar para L.A. e tentar sua sorte lá. Ele diz que passava a maior parte de seu tempo indo ao cinema e tocando em bares (ele é também um músico e compositor). Ele não tinha namorada: “Eu não sou um desses caras que estão constantemente em um relacionamento, nem um pouco”, ele diz. Ele estava pensando em desistir de atuar e ir para casa quando ele foi selecionado em Crepúsculo.

Vai Time

Sabendo que ele é um homem jovem do tipo pensativo, é ainda mais interessante considerar o que se passa na mente de Pattinson no meio desse circo de fama. “É estranho”, ele diz, tentando entender tudo isso. “Você tem que se perguntar, O que elas querem?”, se referindo às fãs de Crepúsculo.

Elas o seguem para sets de filmagem no mundo todo como “Caronas”, algumas vezes deixando empregos e famílias para seguir a trilha de Crepúsculo. Quando ele coloriu seu cabelo em um tom de vermelho em Janeiro deste ano, elas tingiram seus cabelos em solidariedade. “Uma garota de 17 anos na Austrália acessou ilegalmente meu e-mail enquanto eu estava conectado a ele”, diz Pattinson. “Então uma garota de 15 anos na Inglaterra fez a mesma coisa.” Ele disse aos seus advogados para processar.

“Eu tenho medo de comprar uma casa ou qualquer coisa”, ele diz, “porque se há um paparazzi do lado de fora por um dia, então eles nunca irão embora.” Ele se hospeda principalmente em hotéis, ele diz, porque “a melhor maneira de lidar com isso é se mudar o tempo todo.”

“Nem mesmo agora eu consigo entender isso”, Pattinson diz sobre a intensa atração de Crepúsculo. “Realmente tem um ângulo que está vinculado a algo extremamente primitivo em garotas. Eu acho que as pessoas querem que isso as defina, como ‘Eu sou uma fã de Crepúsculo’. Isso é maluco para mim. Eu acho que as pessoas realmente gostam de simplesmente ser parte de uma massa. Simplesmente há algo tremendamente excitante sobre se enganar a esse nível.” 

Ele também atribui o sucesso dos filmes à premiada equipe de marketing da Summit Entertainment. No ano passado sua campanha “Team Edward/Team Jacob” apresentou uma “escolha de Sofia” às fãs de Crepúsculo, pedindo a elas para apoiar um dos dois amantes disputando a mão de Bella, personagem de Kristen Stewart – Pattinson ou Taylor Lautner, que interpreta o lobisomem Jacob.

“Eu não percebia o quanto as pessoas respondiam à coisa de Team Edward/Team Jacob”, diz Pattinson. “Todo mundo perguntava” – voz de publicitário – “ ‘Então, você é Team Edward ou Team Jacob?’ E eu dizia, ‘Do que você está falando?’ E eles falavam, ‘Represente o seu time!’ E eu respondia, ‘Eu não tenho um time.’”

Ele diz que a experiência de se tornar um produto – com seu rosto em carteiras, bolsas, jogos de tabuleiro, e, é claro, múltiplas figuras de ação – pode se tornar “esquisita”. “Com Crepúsculo”, ele diz, “você tem que agradar à franquia” – uma palavra que as pessoas na Summit repetem com uma espécie de reverência. “Como, quando nós estávamos fazendo as fotos do pôster para Água para Elefantes”, ele diz, “a sessão de fotos durou cerca de 10 minutos, enquanto que as fotos para o pôster de Crepúsculo levaram em torno de dois dias, em todo tipo de posição. E nós dizíamos, ‘Por que estamos fazendo isso por tanto tempo?’ E eles respondiam” – voz de empresário – “ ‘Ah, é para os brinquedos e os chapéus do Burger King’. E não que eu tenha algum problema com isso – é difícil para os filmes ganharem dinheiro...

“Não importa”, Pattinson diz, puxando um cigarro. “Não há nada que se possa fazer a respeito. As coisas são assim. Mas é estranho ser parte disso, meio que representando algo que você não gosta particularmente... ”

“Meu Deus”, ele diz, “Eu realmente acabei de dar uma cabeçada nisso.”

Ele espera que possa transitar para uma nova personalidade – Rob Pattinson, ator sério – com papéis altamente sofisticados. Ele foi recentemente escalado para o próximo filme de David Cronenberg, Cosmopolis, uma adaptação do romance de Don DeLillo. “Essa era a minha preocupação”, ele diz, “de que as pessoas não me levariam a sério o bastante para fazer filmes como esse, e eu acabei de conseguir um.” 

Muito cansado 

Com uma mega fama, parece estar presente um pouco de alienação. “É engraçado agora”, Pattinson diz, “como, tentar socializar com as pessoas. Há essa cautela nas pessoas que eu simplesmente acho muito estranha. ”

“Ou eu estou andando na rua”, ele diz, “e as pessoas dirão, ‘Vá se ferrar!’” Ele ri. “E tem muitas pessoas querendo me bater. Homens em bares e tal. Eu apenas saio.” Ele dá de ombros.

“Mas você não tem permissão para reclamar de nada disso”, ele diz. “Você simplesmente tem que ser grato. E obviamente – eu sei disso. Você é sortudo e deveria apreciar a sua sorte. Mas, eu quero dizer, apenas parece que se você simplesmente sugerir que há um lado ruim em qualquer coisa assim, as pessoas dirão – Mentiroso! Eu acho que é porque as pessoas querem ter isso como um sonho. ”

“Meu Deus, eu sempre falo sobre fama, e é simplesmente tão entediante!”, Pattinson exclama, parecendo aborrecido consigo mesmo, levantando-se abruptamente de sua cadeira. Eu digo a ele que isso é perfeitamente compreensível, considerando o que ele tem passado por esses últimos anos. “É, mas cada vez que você lê a respeito de alguém famoso falando sobre ser famoso, você fala, ‘Cala essa boca’”, ele diz com uma risada.

O rosnado do lado de fora havia aumentado. Nós podemos ouvir uivos também. Pattinson abre a porta subitamente, dizendo, “Eu não aguento mais isso.”

“Martin, venha aqui!” ele grita, ao que um cachorro magro e preto imediatamente entra correndo na casa, balançando seu rabo vigorosa e agradecidamente, pingando água por todos os lados.

Pattinson fecha a porta antes que os outros cachorros possam entrar. “Olhe só para eles querendo um pedacinho dele”, ele diz. Dois boxers haviam ido para a janela, de onde estão olhando para dentro, encarando, com um olhar raivoso, se é que cachorros conseguem ter um olhar desses. Martin pula no sofá e fecha seus olhos, exausto.

Pattinson afaga a cabeça do animal. “Isso, isso, garoto, durma”, ele diz ao cachorro.


Tradução: Mariza Canato, Andressa, Marina Rozado, Ana Flávia Oliveira

Powered by CuteNews