Rob fala sobre fama, dinheiro, fãs e Cosmopolis à uma fã jornalista em Berlim

Traduzido/Publicado por Ana Paula em 25 Jun 2012


É quinta-feira 31 maio, em Berlim, e, depois de ter visto 'Cosmopolis' em uma exibição para a imprensa na parte da manhã, eu estou conhecendo Robert Pattinson para uma entrevista na parte da tarde.

Eles nos colocou em um quarto escuro, mas aconchegante no piso térreo de um fascinante hotel de Berlim. Robert está vestido com uma camiseta casual preta e jeans, sentado em frente a janela e tomando um pouco de coca-cola. Ou coca-cola diet. Eu não perguntei. Ele também está mastigando um palito o tempo todo, já que ele disse que está tentando parar de fumar.

Deixe-me apenas dizer como ele foi amável, descontraído e muito acessível. Ele estava rindo muito e parecia estar feliz por estar promovendo o filme.

Hey Rob, é bom conhecê-lo. Como você está?
Bem, bem, obrigado.

Você gosta de Berlim?
(Ele ri) Eu adoro Berlim, mas isso é tão chato. Toda vez que eu venho aqui é no início ou no final da turnê. Toda vez eu passo apenas um dia aqui, por isso eu nunca cheguei à conhecê-la.

E agora eles te colocaram em um quarto muito escuro para dar as entrevistas, não foi?
E há pessoas do lado de fora da janela (risos) ... é um pouco estranho.

Vamos falar sobre Cosmopolis. Nas cenas na limusine, a câmera parece estar sempre muito perto de você e focado no seu rosto. Isso foi difícil?
É estranho porque mesmo eles tendo cortado a limusine no meio, ela ainda tinha o mesmo tamanho de um limo normal. E a câmera estava em um guindaste e, literalmente, muito perto de meu rosto. Ela era movida por um controle remoto, como um robô. E não havia mais ninguém no carro, o que era estranho. Você começa a ter uma relação completamente nova com a câmera. É como se você estivesse mais ou menos consciente e ao mesmo tempo confuso. É estranho, porque não há ninguém por trás da câmera na verdade. É um aspecto totalmente diferente de se gravar.

E como foi para você interpretar um personagem tão obscuro depois de 'Crepúsculo'?
Quando eu comecei a gravá-lo, eu não queria que nada dissesse nada, o terno, o cabelo, e tudo mais. É como: Suas roupas não dizem nada, o carro não diz nada. Nada diz nada. E VOCÊ não diz nada, isso é uma das coisas mais assustadoras que eu já fiz. Eu estava me virando para Jay Baruchel na primeira cena e você percebe que seu rosto não quer dizer nada, os olhos não aparecem (por causa dos óculos escuros). É de dar nos nervos.

E o que você acha do personagem que você interpreta?
Eu realmente gosto dele. Muita gente o vê sendo do tipo antipático, o que pode ser culpa minha. Quer dizer, eu fiz isso, eu queria humanizá-lo. E algumas pessoas realmente o veem assim. Outras pessoas pensam que é um cara que simplesmente não se importa com nada, mas eu acho que ele realmente se importa com um monte de coisas. Ele é apenas um ego-maníaco. Como ele pensa que é a única pessoa no mundo, ele quer ser Deus. Mas não de uma forma gananciosa, ele apenas pensa que é. É apenas a maneira como ele nasceu.

Você acha que Eric Packer se preocupa com o quê?
Erm, ele é uma daquelas pessoas que olha para o mundo, e quer fazer dele um lugar melhor. Ele quer fazer do mundo um lugar melhor, mas apenas suas idéias irão torná-lo um lugar melhor. Ele não se importa em fazer dele um lugar melhor para as outras pessoas. Ele acha que ninguém mais existe. É com isso que ele se preocupa. Elevando o seu nível de percepção as pessoas.

Há algo sobre ele que você gosta?
Erm, eu acho que ele é muito engraçado. Eu gosto quando ele conversa com pessoas que ele não vai demitir. Ele gosta de desafiar as pessoas. Ele é como: "Vamos lá, diga alguma coisa, rápido, seja inteligente!" E todo mundo sempre o desaponta. Nunca é o suficiente. Mas quando alguém o intriga ou o confunde, é, literalmente, essa coisa enorme, porque ele sempre fica surpreso quando alguém diz alguma coisa interessante. Como na cena com Paul Giamatti, ele acha que está literalmente falando com um oráculo, até que ele percebe que é uma loucura. Mas no início ele fica fascinado por ele. Ele é realmente tem uma espécie de fome pelo conhecimento.

Por falar nisso... A cena com Paul Giamatti foi muito longa, com quantidades imensas de diálogo. Como foi isso?
Foi muito divertido. Paul é um ator incrível. Ele era o único que tinha assinado com o filme quando eu entrei para o elenco. E depois de ver o filme pronto, foi uma longa cena. É uma cena de 22 páginas de diálogo, quase um curta-metragem por si só. Mas eu me dei muito bem com o Paul e nós nos divertimos muito fazendo isso.

Qual foi seu primeiro pensamento quando Cronenberg lhe ofereceu o papel? Você viu isso como uma chance de não ser a estrela de Crepúsculo pra sempre?
Eu não estava tentando fugir de nada. Mas só de ter sido chamado por ele... Quero dizer, ele é um dos diretores mais incríveis do mundo. Fiquei espantado. E especialmente para um roteiro como este, é um script rígido. E eu estou em todas as cenas. Tem muito diálogo e é muito sutil. Estou realmente impressionado.

Como você se sente sobre todos esses fãs de 15 anos de idade que acampam do lado de fora das premieres? Você se sente preso à Crepúsculo e você simplesmente não consegue se livrar disso, ou você fica realmente feliz por eles estarem lá de apoiando?
É incrível. Se eles entram para ver o filme - é uma loucura. Vários fãs de 'Crepúsculo' não estão apenas animados para ver o filme, eles o entendem de uma forma que eu não entendo, eles QUEREM realmente entendê-lo. Várias pessoas já compraram os livros de Don DeLillo e eu falei com algumas delas que tem algo em torno dos 16 anos de idade e já leram 'Cosmopolis' e 'Underworld' e mais um monte de obras dele e é absolutamente incrível. Esta é provavelmente a melhor coisa que eu fiz desde que eu comecei a atuar! (Inspirar os fãs à lerem os livros de Don DeLillo). E eles viram todos os filmes do David, até mesmo aquelas centenas de pessoas que não entendem o que está acontecendo, sempre há alguém que realmente entende e não é louco ou algo do tipo, é uma coisa que muda vidas. É uma coisa inspiradora quando você de repente entra na literatura pós-moderna. É uma loucura, inspirar alguém a ler DeLillo em uma idade tão jovem. Eu não sei o que mais poderia inspirá-los. Eu nunca sequer tinha lido nenhum de seus trabalhos antes e agora eu já li vários deles. E agora que o conheço, acho que ele é um grande homem, ele é incrível. Ele estava conosco na turnê até agora. Eu não o tinha encontrado antes. Mas eu realmente gosto dele. Ele é muito diferente do que eu pensei que ele era. Ele é muito engraçado e muito direto. E ele sabe muito sobre filmes. E eu estou tão espantado que há pessoas fazendo fila e gritando sobre isso. É hilário.

O filme é sobre o dinheiro em geral. Quão importante é o dinheiro e o sucesso para você?
O sucesso é importante. O dinheiro também é, mas estou consciente de que ele é mais importante quando você for mais velho. Quando você é jovem você fica como: "nah, eu não me importo com isso" e você acha que sempre vai ser capaz de ganhar dinheiro. Não parece uma coisa real até você não tê-lo mais. Isso sim é real.

Uma pergunta pessoal: Eu sei que os fãs adorariam saber o que você deu para a Kristen no último aniversário dela...
(Risos) Eu nunca falo sobre a minha vida especial, me desculpe.

E com um piscar de olhos ele diz: "Parece que você desperdiçou sua última pergunta."

Veja aqui uma foto de Anne com Rob na premiere do filme em Berlim

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