Cosmópolis está entre os 25 melhores filmes de 2012

Traduzido/Publicado por Deia Almeida em 15 Dec 2012


Não foi à toa que o filme Cosmópolis, do diretor David Cronenberg, passou a projetar um mundo estranho em que se percebe, quase que de maneira notória e clara, o reflexo das problemáticas da atualidade, que emergem diariamente por meio das notícias de jornais. O envoltório acerca da ocupação da “wall sreet” e as questões relacionadas ao capital globalizado parecem surgir como temas iminentemente atuais e se fazem presentes no filme.

O que invariavelmente se percebe nessa maravilhosa adaptação para o cinema do livro de “Don DeLillo”, é que se retratam os pesares humanos, a redução do ser humano a sua individualidade e egocentrismo, questões da alma humana desde os primórdios da humanidade, retratos de ansiedade, sob os vieses do elixir mortal pela busca incessante pelos privilégios, apatias sociais e o mundo das telecomunicações.

Dentro do comando central do filme, personificado pela limusine branca, o personagem do ator Robert Pattinson (Eric Packer) controla seu mundo e é de onde se origina as cenas obscenas do filme.  O rico e milionário Eric Packer (Robert Pattinson) era ao mesmo tempo conectado ao mundo externo e também, desconectado. Isso é evidenciado no filme quando o personagem sai da limusine, quando abre a porta para acesso das pessoas no mundo externo, garantindo um acesso este mundo, bem como a entrada desse mundo na limusine. E, com isso, se percebe as problematizações e os saberes notórios para com a sabedoria e as ilusões pré-concebidas e ditadas pela sociedade.

O filme acaba por invocar e trazer à tona toda a bagagem que o diretor David Cronenberg tem acumulado em virtude de seus trabalhos anteriores, até mesmo os temas que foram abordados, inclusive as questões relacionadas à estética e suas restrições e implicações na vida cotidiana.

Cosmópolis é um filme que retrata seus temas de maneira irônica, mas ao mesmo tempo com elegância e contemporaneidade fundadas em um aspecto desconexo ao mundo real, mas que é ao mesmo tempo, ligado a este mundo; quando tudo parece se perder, o filme acaba por imergir-se na realidade prática, se infiltrando nesta.

O filme é travado em várias cenas de diálogo retiradas literalmente do livro de DeLillo, e, talvez, por isso, essa verbosidade tão forte acabe por se tornar de difícil assimilação por parte das pessoas, e ser alvo de muitas críticas. Mas em um ano cinematográfico repleto de bons atores que fazem de tudo para sobreviverem nesse meio, o ator do romance (DeLillo) tem mais a dizer e agradecer- ou mesmo meditar- do que reclamar.

Fonte | Tradução: Carol Almeida

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